Por Karina Ximenes
Para Tarso e Adelana;Amigo Tarso , é fato: ao se tornar pai, você vai “perder” sua mulher, Adelana. Ela será vítima de uma paixão avassaladora por outra pessoa que, no máximo, guardará aqui e ali alguma semelhança com você. Esse arrebatamento da Adelana vai te vitimar profundamente. Você verá florescer ao seu lado um amor desmedido, como ela jamais poderá te oferecer. Um sentimento descomunal que sempre esteve lá, dentro dela, guardado para outra pessoa.
Você, que era único, perderá a exclusividade. Você, que tinha todas as regalias, perderá os privilégios. Você, que gozava de toda a atenção do mundo, terá de reaprender a viver com o que sobrar. Você, que ocupava todo o espaço, terá que se restringir à sua pequeneza diante daquela relação imensa, mágica, esplendorosa que vai acontecer ali do seu lado, entre a Adelana e essa outra pessoa. É fato, amigo Tarso: você está frito.
Felizmente há compensações. Enormes, maravilhosas compensações. Tirando o fato de que você nunca mais será a pessoa mais importante na vida dela (considerando, claro, que você ocupasse esse posto até então), de resto, a paternidade só traz vantagens. A começar pelo fato de que essa outra pessoa não roubará apenas o coração dela, roubará o seu também. Mas a lista das delícias de ser pai fica para outro dia. Hoje, quero falar apenas de como você será beneficiado com o que vai acontecer com a Adelana.
Quem diz que mulher embagulha ao engravidar não entende nada de mulher. A maternidade é o verniz definitivo da sensualidade feminina. Os quadris ficam levemente mais largos e convidativos. Os seios ganham um portento extra. Aquele corpo, suas reentrâncias, suas temperaturas, cada detalhe vai ganhar em graça, em respeitabilidade, em atração, um milagre está acontecendo ali.
Ela ficará mais feminina. A natureza conspirará a favor dela já na gestação. Sua pele ficará mais bonita, seus olhos ficarão mais luminosos. Seu corpo estará mais imune a tudo (inclusive às suas investidas, durante um bom tempo). Seu olhar será mais doce. Olhar de mãe, mãos de mãe.

Ela ficará mais terna. Vai cuidar melhor do ninho. E, enquanto aquela outra pessoa não chegar, vai cuidar melhor de você também. (Não por mérito seu. Mas porque você está dentro do ninho que ela está montando. Não questione. Aproveite.
Não apenas ela ficará mais carinhosa com você, como muitas vezes você também se pegará olhando para ela com uma ternura inédita. Com uma afeição quente, que chega a doer de tão intensa. Aquela mulher carrega o seu filho na barriga. Aquele umbigo, não mais o seu, será o centro do mundo para você. Você o defenderá como um leão (foi mal nada de Fortaleza aqui rsrs). E o amará acima de todas as coisas. Acima até mesmo do amor que você tem por si mesmo, pelo seu time (Ferrão ou “ferrinho”?), por sua coleção de CDs e imagináveis musicas que você descobre .
Ela ficará mais emotiva. Vai chorar fácil. Vai enjoar de coisas que amava (A começar por você). Vai precisar mais da sua paciência, da sua compreensão. Vai expor sua fragilidade - e você terá de crescer, ficar maior do que si mesmo, para tomar conta dela. Terá de acarinhá-la, recebê-la, incentivá-la.Cuidar dela se tornará um doce martírio. E um bom treino. Vá se acostumando. Quando o Pablo Artur chegar, padecer no paraíso dos pais amorosos e aplicados será a sua rotina pelo resto dos seus dias. E quer saber? Não há nada melhor.
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Texto extraído da revista Marie Claire e adaptado por Karina Ximenes